terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Ana Clara Matos - Uma das Grandes Apostas da Música Pop Paraense

por Walda Marques

Com muito talento, inteligência na escolha no repertório e, sobretudo, uma bela voz, Ana Clara Matos é uma das grandes revelações da Música Pop Paraense. Conheça mais sobre ela nessa entrevista exclusiva. Ela está, atualmente, fazendo uma temporada na Taberna São Jorge, que fica na rua Félix Roque, 268 - entre Travessa Tomazia Perdigão e Travessa Doutor Malcher, Cidade Velha; todas às quintas de janeiro, a partir das 22h.

CONTATOS: anaclaramatos@gmail.com



Quando você começou a se interessar por música? E a cantar?

O interesse por música vem desde cedo. Sempre se ouviu muita música na minha casa, da MPB à erudita, e, além disso, o meu pai, Emanuel Matos, é compositor, então, sempre foi algo muito presente pra mim. Desde a infância convivo com esse clima de composição, de gente tocando em casa.

Quando eu tinha uns seis anos, ingressei na Escola de Música da UFPA (então, SAM). Meu instrumento era piano. Não cheguei a concluir os estudos formais, mas segui por um tempo com aulas particulares. Depois cheguei a estudar um pouco de violão, com o José Maria Bezerra, que aliás é parceiro do meu pai em várias canções, inclusive em "Sair no Abraço", faixa que eu gravei para o disco Dizeres ( http://www.overmundo.com.br/banco/sair-no-abraco).

Sempre fui muito tímida e nunca imaginei que um dia fosse cantar. Acabou sendo algo natural, porque é uma coisa de que sempre gostei. Então, aos 17 anos comecei a cantar com amigos, em banda de rock, e depois começaram a surgir outros projetos.


Quais e quem são as tuas principais influências?

Como eu te disse, em casa sempre se ouviu de tudo. Então, desde criança eu escutava muita música paraense, brasileira (de Chico a Mutantes), também Beatles, jazz, música latina, música erudita, enfim. Na medida em que fui crescendo, além dessas referências, fui me interessando pelo que era contemporâneo a mim – aí, claro, teve aquela fase em que se gosta de coisas inacreditáveis (risos) – e também cheguei ao rock.

É difícil listar exatamente o que me influencia. Eu gosto muito de fuçar, de descobrir artistas, novos ou antigos. Escuto muita coisa diferente, tenho fases de estar mais ligada a um estilo ou outro, então, não tem muita regra. É tudo isso misturado.


O que você poderia destacar da música independente do Brasil? E do Pará?

Em termos nacionais, gosto muito do exemplo do Móveis Coloniais de Acaju (DF). Como eu também venho do rádio e da produção, além da leitura sobre a sonoridade – que eu acho muito bacana –, acho que se destaca neles o posicionamento no cenário, esse lance de correr atrás do que está para além da música, uma consciência que talvez falte a alguns artistas daqui. Gosto de muita coisa que está rolando atualmente, mas se for fazer lista, vai ficar enorme, então, deixo só esse exemplo, que acho que é muito pertinente no cenário atual (a já velha história da mudança do mercado musical e por aí vai).

Aqui no Pará, acho que tem muita coisa boa, também fica difícil listar, mas tentemos: penso que sempre vale a pena citar o Delinqüentes, que é uma força, um grande exemplo pra qualquer banda, de qualquer estilo, que esteja começando; acho muito importante, ainda, o exemplo do Madame Saatan, que mostra que é necessário trabalhar bastante e se organizar se o interesse for cruzar os limites do estado; pra citar produções recentes que me chamaram a atenção, tem os discos do Destruidores de Tóquio e do Arthur Nogueira e o EP do Ataque Fantasma, os três muito competentes, que, penso, merecem ir longe; além disso, acredito muito nos meninos do Sincera e estou aguardando os discos do Stereoscope e do Aeroplano, que acho que está numa fase bem legal.


Quais são os teus próximos projetos musicais?


Bom, estou em temporada na Taberna São Jorge (quintas de janeiro, às 22h) com o Felipe Cordeiro, que eu admiro muito. É uma parceria que já queríamos realizar faz tempo e a idéia é amadurecer essa interação no formato de voz e violão para depois partir para a produção de um show de maiores proporções, com banda. Também tenho conversado com o Pio Lobato, para darmos continuidade a um projeto que surgiu no ano passado. Outro plano é ir gravando algumas coisas aos poucos, ir armazenando esses registros, gravar coisas minhas também, o que ainda não fiz.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Entrevista Especial: Professor Carlos Rogério Duarte


O professor de literatura paulistano Carlos Rogério Duarte é um dos grandes pensadores, e agora produtor de eventos da música independente nacional, organizando o evento Mais (+) Massa. Além disso, ele é responsável pela produção dos textos dos blogs www.ametricadogrito.blogspot.com, www.restosefragmentos.blogspot.com;como também do http://identidademusical.com.br/blog/ (junto com Tiago Barizon, que é músico, DJ ecomunicador). Conheça mais sobre o grande Carlos Rogério Duarte nessa entrevista exclusiva.

Além de professor, você é um grande blogueiro e agora produtor do projeto +Massa. Fale sobre essas atividades? E a repercussão de cada uma?


Ser blogueiro foi a forma que encontrei de dar vazão à montanha de ideias e análises que eu tinha na cabeça. Até dava para escrever textos acadêmicos, mas a repercussão que eles encontram entre o público é bem menor. Dei a sorte de conhecer o Clemente e o pessoal do Showlivre, que me deram espaço para escrever a coluna A Métrica do Grito, que virou blog. Paralelamente, reencontrei o Tiago Barizon, amigo da época do colegial, e comecei a escrever no site da Identidade Musical, que acabava de começar.

A repercussão dos textos que escrevo sempre foi muito boa, principalmente entre os próprios músicos cujas canções eu comento. É uma alegria quando alguém da banda vem me dizer que adorou o texto, que "era aquilo mesmo que eu tinha pensado". Os textos, para o padrão da internet, são longos, talvez teóricos demais, mas as pessoas leem e comentam mesmo assim. Acho que o público e as bandas sempre quiseram textos mais analíticos, mas o jornalismo musical, não sei bem por que, parece evitá-los. A gente lê as revistas de música e a conversa é sempre a mesma: a banda tal está em estúdio, circulou, lançou CD; o integrante namorou não sei quem, escândalos de fim das bandas, reconciliações etc. Tudo isso é notícia, mas falta análise - e vários blogs ocupam essa lacuna, não só o meu. O seu também é um deles.

Depois que os textos começaram a ter vários acessos, aconteceu o seguinte: fascinei-me cada vez mais com as bandas que eu ia conhecendo - Los Porongas e Madame Saatan, por exemplo. Descobri que, se ficasse apenas na sala de aula, eu perderia o bonde da história do rock brasileiro. Propus ao Barizon para participar mais da Identidade Musical, da qual acabei me tornando sócio, tal foi meu envolvimento. Continuo lecionando, mas agora num ritmo bem menor.

Finalmente, o Mais Massa. Aconteceu que o Diogo dos Los Porongas me ligou um dia, pedindo que fosse à casa dele aqui em São Paulo. Nós tínhamos nos aproximado exatamente por causa do texto que eu escrevera (aliás, inspirado num texto teu, Sidney) sobre os Los Porongas. Sempre trocávamos ideias, nos botecos e casas noturnas da Rua Augusta, sobre fazer a cena independente acontecer com mais vigor em São Paulo. Pois bem, um dia de outubro de 2009, Diogo me ligou, já em contato amplo e com parceiras com o pessoal do Madame Saatan, Volver, Sonso, Jardim das Horas e Saulo Duarte e a Unidade, dizendo que queriam ajuda para criar um projeto de circulação e parceria que envolvesse bandas de fora de São Paulo, todas morando por aqui. Topei contribuir, por meio da Identidade Musical e de uma produtora parceira, a Punksaravá, em termos de agendamento, divulgação e conceituação do projeto - esta última é a parte de que mais gosto, de criar ideias, como os conceitos de ressignificação do trânsito de São Paulo, de geografia lendária da canção, além do aparecimento do fantasma do Mário de Andrade, ilustrando o paulistano que recebe as bandas de fora de São Paulo.

O resultado, de outubro a novembro: dez espetáculos em três casas diferentes de São Paulo. Os músicos participam uns dos shows dos outros, abrem o palco para participantes de outras bandas, como Marcelo Vourakis, do Supergallo, Tiago Cardelli, dos Visitantes e - apresentação histórica - Gerson Conrad, dos Secos & Molhados, que tocou com o Sonso. Recebemos a banda argentina Rosario Smowing, também, que deu um puta espetáculo no Cidadão do Mundo, em São Caetano.

Por essas e outras, o Mais Massa repercutiu fora da cidade. Recebemos semanalmente a ligação de várias bandas que querem participar do projeto, na maioria das vezes de outras cidades. E que fique claro: o Mais Massa quer circular e quer fazer circular, sem ser panelinha. Já teremos o primeiro espetáculo de 2010 com uma participação internacional, o argentino Simja Dujov, que abre para O Jardim das Horas, quinta-feira, dia 14 de janeiro, na Livraria da Esquina, casa que comprou a ideia do projeto desde o primeiro instante. Mas queremos abrir espaço para bandas do Brasil inteiro tocarem em São Paulo, estamos à cata de parcerias e de patrocínio. Ao mesmo tempo, queremos botar o Mais Massa pra rodar, sobretudo nas cidades dos integrantes das bandas.


O que você poderia destacar da música independente no Brasil? E no Pará?

Olha, Sidney, tem uma coisa complicada que é a seguinte: talvez seja impossível mapear a música independente do Brasil todo. Cada um de nós que trabalha com a música independente tem um recorte daquilo que consegue ouvir e assimilar, porque existem inúmeras bandas por aí, muitas trabalhando com bastante afinco. Não dá pra ouvir e conhecer tudo - aliás, acho que temos de parar com essa pretensão. Melhor é ouvir com qualidade, sem pressa, para poder entender as propostas. E degustá-las: se a audição da música não tiver desfrute estético, então a música acaba virando mais um produto, e voltaremos à lógica das grandes gravadoras. Antes de ser produto, música é arte, e precisa ser tratada como tal.

Então, sem a pretensão de criar a lista dos "melhores", cito os trabalhos que mais me agradaram nos últimos tempos: Anacrônica; Banda Dissidente; Buon Giorno Luamada, que descobri na lista dos melhores de 2009 da Trama Virtual; Caldo de Piaba; Carfax; Cérebro Eletrônico; Dilei, do cast da Identidade Musical; Eddie; Kristoff Silva; Lucas Santtana, também da lista da Trama; Maltines; Mamma Cadela; Neto Lobo e a Cacimba; Mugo; Nosotros, também do cast da Identidade Musical; O Sonso; Aguarraz, Porcas Borboletas; Rômulo Fróes; Saulo Duarte e a Unidade; Volver; o trabalho solo de Zeca Viana, baterista do Volver. E certamente me esqueci de gente boa, além de faltarem trabalhos que não conheço. Te dou um furo: em 2010, vai pintar uma banda nova aqui de Sampa, o Pappas Palace, lançando um EP com participações de Sammliz, do Madame, e do Clemente, dos Inocentes, logo de cara.

Deixei de lado, é evidente, as bandas que são maravilhosas, mas que já estão "super-bombadas": o Macaco Bong, o Vanguart e o Cidadão Instigado, por exemplo, é desnecessário citar.

No Pará, além do Madame Saatan, de que sou fã demais, vejo Johny Rockstar, Delinquentes (a que eu queria muito assistir ao vivo, trazer para SP), Vinil Laranja e StereoScope. Lamentei muito o fim d'A Euterpia, que você mesmo me apresentou: acho que o trabalho deles ainda vai ser muito lembrado num futuro próximo. Mas o que estou ouvindo muito, depois de ter visitado Belém é o Mestre Verequete, que eu não conhecia e adorei. Já escrevi que o Pará me parece ser uma grande meca da canção independente. Foi o que vi quando estive por aí na semana passada.


Quais são os teus próximos projetos?

Primeiro, tocar as Noites do Bem e o Projeto Mais Massa com todo o afinco, para aquecer a cena de São Paulo. A cidade deve ferver neste ano, parece que todo o mundo que trabalha na cena resolveu que 2010 tem de ser inesquecível; talvez este ano oriente mais ou menos o que vai rolar daqui pra frente. Queremos também estreitar os laços internacionais, especialmente com a América Latina, em que uma banda do nosso cast, o Dilei, já fez tour.

Além disso, a Identidade Musical vai dar continuidade ao Mapa Musical, que nos parece fundamental para podermos identificar oportunidades e traçar estratégias de ação no mercado independente de música nos próximos dois anos, pelo menos. O blog segue a todo vapor. Em termos pessoais, estou em pesquisa de doutorado sobre um roqueiro português, o António Variações: essa pesquisa me dá muito material pra pensar nas relações entre o rock e países de língua portuguesa. Também sigo dando aula.


Leia os Blogs
www.identidademusical.com.br/blog
www.maismassa.com.br
http://restosefragmentos.blogspot.com
http://ametricadogrito.blogspot.com

sábado, 9 de janeiro de 2010

Piratão - Vide Convergências - HOJE


Fonte: www.resistenciamarajoara.blogspot.com e www.cinemaderua.blogspot.com

Veja toda programação no flyer em anexo!
Para assistir é só clicar em: http://www.youtube.com/watch?v=oGxt6E99f-E
CONTATO: Etetuba = Arthur Leandro - telefones (91) 30872755 ou 92080679

O coletivo Filé de Peixe realizará nos dias 09 e 10 de janeiro de 2010, na praça da República na cidade de Belém do Pará, e com apoio da Faculdade de Artes Visuais do ICA/UFPA, o projeto PIRATÃO: Vide Convergências!

Contemplado pelo programa REDE NACIONAL FUNARTE ARTES VISUAIS, PIRATÃO: Vide Convergências, a partir do contraste potencializado pela triangulação entre artistas e pensadores do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Pará, quer ampliar a percepção crítico-analítica das iniciativas desenvolvidas em cada um desses locais, bem como gerar troca de experiências e de estratégias empregadas para se produzir e difundir bens artísticos voltados para o campo audiovisual.

PIRATÃO é uma prática artística que investiga e simula a economia informal e pirata como situação para inserção, visibilidade, acesso e circulação a trabalhos de videoarte.

A ação desdobra-se a partir da comercialização de um objeto do coletivo Filé de Peixe denominado ENCARTADO. Francamente inspirados nos dvds piratas comercializados informalmente, os ENCARTADOS consistem numa mídia dvd + encarte + carimbo manual + vídeos apropriados.

Os ENCARTADOS reproduzem infinitamente os vídeos do acervo do coletivo Filé de Peixe, mantendo-se, contudo, únicos enquanto objetos, já que são manualmente carimbados, com número de série que não se repete, portando marcas e intervenções do processo caseiro e não industrial de produção.

Os ENCARTADOS são objetos performáticos, elementos constitutivos da ação, comercializados somente no momento do PIRATÃO, aos moldes e preços praticados pelos camelôs: "1 é 5(reais), 3 é 10(reais)".

No local da ação há um televisão e um aparelho de DVD para que os vídeos comprados sejam testados, assim, "comprou: testou, testou: exibiu!"
Ao término de cada ação, é realizada a SESSÃO PIRATA: uma seleção variada de videoartes, com uma hora de duração, sem divulgar previamente o seu conteúdo, sem pedir autorização aos autores, nem sequer informá-los. As pessoas ficam sabendo apenas onde e quando, e comparecem para uma sessão surpresa.

O conteúdo de cada SESSÃO PIRATA é divulgado posteriormente, no site do coletivo Filé de Peixe. A ação já foi realizada no Rio de Janeiro(duas edições), Porto Alegre, e em Recife, no SPA das Artes 2009.

Ao se deslocar, PIRATÃO difunde/exibe por outros lugares o acervo de vídeos aglutinado no local de origem do coletivo, na mesma medida em que gera condições para que novos trabalhos de artistas locais sejam incorporados ao projeto, difundindo-se em seqüência, num movimento polinizador que opera constantemente aglutinação – deslocamento – difusão.

Com isso, PIRATÃO ativa redes de troca em torno da produção audivisual voltada para o campo das artes plásticas, evidenciando a novíssima e vasta produção no campo da videoarte, facilitando o acesso/contato com trabalhos clássicos, propiciando um ponto aglutinação e difusão desse trabalhos a partir de um modelo que faz referência ao comércio popular, informal e pirata.

alex topini
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© Francisco Weyl
Carpinteiro de poesia e de cinema
00 55 91 - 8114 8146 / 4009 2514

www.resistenciamarajoara.blogspot.com
www.cinemaderua.blogspot.com

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

ENTREVISTA ESPECIAL: PAULA BALDUINO (SEM AMARRAS E BANDA ASSOMA)


Um dos grandes meios atuais para as bandas independentes, de qualquer parte do mundo, são as web radios. E agora no Brasil surge mais um programa direcionado a divulgação desse trabalhos, "Sem Amarras", apresentado pela jornalista paulista e vocalista da banda Assoma, Paula Balduino. Conheça mais sobre tudo o que eu escrevi, nessa entrevista especial.

Para quem quiser conferir, o programa rola todas as quartas-feiras às 19h no site http://www.cidadaodomundo.org.br


Como surgiu a ideia de criar o programa de web radio "Sem Amarras"? Já tinhas experiências anteriores com web radio?

Na verdade, surgiu de um convite da galera do espaço Cidadão do Mundo, em uma época que estavam rolando umas oficinas por lá: a de criação de som, ministrada pelo Renato Cortez, do Seychelles e a de Web Radio, nas mãos do querido Walter Figueiredo (o Batata). O Cidadão do Mundo é um espaço em São Caetano do Sul (SP) que funciona quase como uma ONG de bandas, um coletivo para quem quiser trabalhar, divulgar, fazer um som e sempre tem alguma atividade rolando lá. Além dos shows tem exposições de artes plásticas, grafite, debates sobre cultura independente. Para ampliar os horizontes do projeto, algumas pessoas de dentro do Cidadão, que participaram das oficinas, começaram a apresentar programas de web rádio e podcasts. Depois alguns músicos começaram a ser convidados, como a galera do DZK. Para o Assoma assumir um programa foi um pulo, porque nos tornamos uma banda muito ativa dentro do coletivo. Nosso guitarrista, o Xande, participou das oficinas, e eu mesma sempre estive em contato com o pessoal de lá dando ideias ou trocando informações. Recebi o convite da equipe do Cidadão e hoje o Marcelo Mendez e o Pajé, que trabalham dentro da instituição, fazem o programa comigo.

Eu não tinha tido experiência com isso ainda, não participei das oficinas, então caí meio de para-quedas. Eles simplesmente acharam que eu tinha o perfil para a proposta do programa. O "Sem Amarras" é voltado para as bandas independentes. A gente dá informações de festivais, de inscrições, agenda de shows, notícias das bandas e claro, rolamos o som delas. É bem alto astral, a gente se diverte no ar porque está envolvido com o que gostamos de verdade.


Como está sendo a repercussão do programa? E como podemos acessá-lo?

O "Sem Amarras" atuou em caráter experimental no segundo semestre de 2009. A gente queria testar o formato, saber como as pessoas iriam receber, se teríamos uma demanda ativa. Abrir um espaço para bandas não é o mais difícil. O problema é mantê-lo, é cativar o interesse do público. Hoje temos nossos ouvintes que participam com informações, que enviam material. Levamos uma banda ao estúdio para uma entrevista uma vez e a audiência foi a mil. E aí tivemos a certeza que sim, existe gente que quer ouvir coisas novas, que quer saber o que a cena tem a oferecer.

Para quem quiser conferir, o programa rola todas as quartas-feiras às 19h no site http://www.cidadaodomundo.org.br

Quais são os projetos para o programa em 2010?

Esse ano pretendo aumentar a divulgação, até porque queremos organizar uma série de eventos da web rádio dentro do Cidadão do Mundo, onde as bandas vão poder dar fazer o show e dar entrevistas, estar em contato direto com os ouvintes. Todos os shows da casa são transmitidos via web, o que potencializa a expansão do projeto, assim como a divulgação das bandas envolvidas. Ou seja: quem não puder estar no Cidadão em um determinado show, com certeza vai poder ouví-lo de qualquer lugar que tenha um computador com acesso a internet e aúdio.

No dia 16 de janeiro acontece o primeiro show do projeto "Festa: Sem Amarras" com as bandas Assoma, Libria e Visitantes. Mais para frente, depois do Grito Rock ABC 2010, a gente prevê outras edições, com bandas a serem recrutadas ainda pela equipe da casa.

E claro, em 2010 vão rolar mais entrevistas com bandas e produtores, o que é ótimo tendo em vista o aumento da interação e do conteúdo. Por exemplo: no dia 20 de janeiro, Tiago Barizon e Rogério Duarte da Identidade Musical estarão lá para contar sobre novos projetos, sobre o Noites do Bem, sobre o Mais Massa. É importante pra cena estar ligado no que acontece, quais as portas abertas que existem para divugar ou conhecer uma banda nova. E o programa, junto com as entrevistas, os eventos etc visa muito isso: tornar o público mais informado e com isso, mais ativo.


Como uma banda de qualquer estado brasileiro pode fazer para mandar o material?

Simples! Manda um e-mail para amarras.radio@gmail.com com mp3, um mini-release e a agenda de shows que a gente divulga tudo no ar. Para interagir ao vivo, trocar idéia, mandar recados, é só falar com a gente pelo MSN da rádio: radiocidadaodomundo@hotmail.com. Pelo MSN o ouvinte poderá não apenas interagir com o Sem Amarras, mas também, com todos os outros programas da grade.


Qual é a sua análise sobre o futuro da música independente no Brasil?

Cara, essa resposta tá virando um clichê mega e graças a Deus que tem sido assim! Atualmente se encontra bandas cada vez mais profissionais, dentro de coletivos cada vez melhor estruturados, gente séria e engajada. Percebe-se um aumento significativo de festivais pelo Brasil e isso só tende a crescer! Até em espaços como a MTV, que antes era dominada pelo mainstream, a gente já percebe que cada vez mais bandas independentes tem tomado espaço, porque realmente há uma demanda grande para isso. O Myspace , o Youtube, as web rádios, os festivais e outros meios ajudaram muito isso a rolar, até o Twitter mesmo, pela velocidade de propagação das informações e interatividade.

Acho que a resposta para essa pergunta é uma só: a música independente no Brasil é o futuro, ponto. Voltamos a era do "do it yourself", faça um vídeo e espalhe, monte seu blog e divulgue. Isso é ótimo! Democratização da cultura em grau máximo e de alta qualidade profissional, até por conta do avanço tecnológico.


E os planos da Assoma para esse primeiro semestre de 2010?

Nossa, temos tantas coisas!! Para esse ano já estamos com alguns shows agendados e entrevistas para fazer, estamos inscritos em alguns festivais e pretendemos lançar o EP. Falta gravar os vocais para gente finalizar.
Queremos voltar ao processo de composição, divulgar ainda mais, tocar ainda mais que 2009 (que foi um puta ano para a gente) e conquistar cada vez mais espaço. Temos uns projetos secretos, que a gente pode divulgar no segundo semestre talvez. Na verdade é só ficar ligado em nossas páginas que está tudo lá. Uma boa forma de ver as novidades da banda é acessando nosso site, que tem link para todas as outras páginas da gente: http://www.assomarock.com

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Entrevista Especial: Priscilla Brasil - Cineasta Guerreira


O talento da cineasta paraense Priscilla Brasil é inquestionável. O grande destaque desse talento pulsante para o público ocorreu através do documentário "As Filhas da Chiquita", que relata e mostra a maior festa profana antes do Círio de Nossa Senhora de Nazaré. O trabalho dela também pode ser conferido nos clipes "Vela" e "Devorados" da banda Madame Saatan, e como também de outros artistas de renome nacional, como Daniel Peixoto, Macaco Bong e Curumin. Ela também assina a direção de outros documentários: “Serra Pelada: a esperança não é um sonho” e do inédito “Notas sobre Waldemar". Além disso tudo, ela é a produtora executiva do "Brega S/A". Para conhecer o trabalho de toda a equipe, que trabalha junto com Priscilla, acesse www.greenvision.com.br. Ela revela novidades nessa entrevista especial. Conheça mais um pouco sobre Priscilla Brasil.


A Greenvision produz uns dos materiais, dentro do universo do audiovisual paraense, mais interessantes dentro desse cenário. Como vocês escolhem os temas?

Na verdade, eles aparecem. Isso é muito pessoal: documentário tem que ser sobre o que realmente te interessa - afinal, você vai passar muito tempo pensando nesse tema. Fica difícil escolher algo que nao envolva o mínimo de interesse pessoal: nesses casos, a vida (e o trabalho) acabam ficando sofríveis.

Como está o processo de produção? Quais são os próximos trabalhos?

Início de ano, só planejamento de projetos novos, pensamentos pra 2010. Vamos voltar a cabeça pros filmes, de novo, esse é o pensamento. O que vai ser feito ou não, só vamos saber mesmo em fevereiro. De certo tem um documentário chamado "Mulheres da Amazônia". O resto, ainda tá em discussao.

Em relação a produção de clipes, podemos esperar mais clipes paraenses? Como ocorre essa seleção?

Gravamos Macaco Bong e Daniel Peixoto, no fim de 2009. Acredito que até fevereiro sejam lançados. Não tem seleção: como eu disse, é tudo muito pessoal nesses casos, porque todo trabalho envolve muito tempo e tem q ser um tempo gasto em algo que a gente realmente acredite.

Como está a repercussão dos trabalhos da Greenvision?

Tudo tranquilo, 2009 foi um ótimo ano pra gente. Espero que em 2010 a gente prossiga nos caminhos que conseguimos abrir. Paciência, tranquilidade, aí as coisas vêm bem na hora. Deus ajuda quem cedo madruga, eu acho que é por aí.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Entrevista Especial: VJ Laércio Cubas


www.youtube.com/lacusproducoes

Laércio Cubas é o responsável pela maioria das produções visuais de vários eventos no Pará, entre eles o Festival Se Rasgum. Conheçam o trabalho desse talentoso VJ paraense.

www.youtube.com/lacusproducoes

Como e quando você começou a trabalhar como VJ? Quais foram as tuas principais influências iniciais?

Comecei a atuar como VJ por volta de 2003, à principio como um desdobramento das minhas atividades principais, que são produção de vídeo e produção de eventos. Me dei conta que já tinha em mãos o equipamento necessário para começar e daí foi apenas o caso de estudar melhor os recursos e direcionar meu trabalho.
Como minhas influências iniciais, posso apontar os bares rock de São Paulo, como o Morrison, que tem ambientes destinados à video-bar, e em Belém não se pode esquecer do Lobo, proprietário do Lobobar, até hoje um dos poucos da cidade que teve culhões de abrir um bar direcionado ao rock´n´roll, e um pioneiro no uso de projeção em telão como a atração principal, algo hoje considerado trivial.


Como é o mercado para essa atuação no Pará e no resto do Brasil?

O mercado está em constante expansão, pela maior facilidade que os estabelecimentos têm em adquirir os equipamentos "da casa" para que a gente possa trabalhar, que seriam o sistema de P.A. e os projetores e telões.
Num sentido mais amplo, a figura do VJ é cada vez mais requisitada, por conta que a maioria dos eventos e estabelecimentos de médio e grande porte necessitam de uma programação visual, mesmo quando não acompanhada de sonorização.


Quais foram os teus trabalhos mais interessantes de se fazer?

Os trabalhos mais interessantes nem sempre são aqueles de maior público ou repercussão. Já trabalhei em evento grande pra idiotas como o André Anaice e que decidi que nunca mais quero fazer algo simplesmente para ser popular e aparecer em chamadas de TV de eventos que não me identifico em nada.
Já trabalhei boa parte das casas de show de Belém e posso indicar o FestZona, em 2007, no Mormaço, como um evento muito bacana de fazer, com mais de 2.000 pessoas. Posso também apontar minha temporada de mais de dois anos no Bar 021, às terças-feiras, como algo importante. Por se tratar de um local menor, a gente pode colocar um repertório mais light, algo que eu também gosto muito de fazer.


O que você poderia destacar da música independente no Pará?

Nisso eu já preferia lhe falar enquanto produtor de video. Minha empresa, a Lacus Produções (www.youtube.com/lacusproducoes ) , é responsável pela produção desde os primórdios dos maiores festivais de rock do estado, no caso o Se Rasgum no Rock e o CCAA Fest, então nesse caso posso te afirmar que a grande maioria da cena rock de Belém tem algum material captado por nós, o qual sempre disponibilizamos sem ônus algum para as bandas.
Da minha seleção pessoal da cena do Pará posso destacar como meus favoritos, sem ordem: Letrac, Lirium, Madame Saatan, Aeroplano, Inversa, Buscapé Blues, Indústria Vital, Mostarda na Lagarta, Aeroplano, La Pupuña, e com certeza estou esquecendo alguém.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

Entrevista Especial: Maurílio Kuru Lima


Maurílio “Kuru” Lima é pós-graduado em gestão cultural, consultor e curador na área musical, e um dos fundadores e gestor do Fórum da Música de Minas Gerais, entidade responsável pelos editais de circulação nacional e exportação da Música de Minas e atual representante do setor musical na Lei de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte. Atua na elaboração de projetos de políticas culturais e formatação de editais públicos e privados. Fundador da produtora Cria! Cultura, responsável pela gestão do Conexão Vivo, plataforma nacional de patrocínios em rede da operadora Vivo. Fundador do selo + Brasil Música, já coordenou a produção de mais de 25 cds e DVDs e contabiliza a concepção e ou produção de mais de 1500 espetáculos em 20 anos de carreira. Já gerenciou carreira de grupos como Berimbrown, Marku Ribas, Pedro Morais, Pereira da Viola e Os Mutantes, em sua volta em 2006. A produção contou com a participação de Bárbara Andrade e Aldele Pickrell, do Coletivo Megafônica, representantes do Fora do Eixo no Pará (www.megafonica.blogspot.com).



O que é o projeto Conexão Vivo?

O projeto Conexão é uma iniciativa privada da VIVO, mas que tem como objetivo incentivar projetos relacionados ao desenvolvimento da cadeia produtiva da música, e de outros segmentos culturais, dos estados e do país, em toda a sua dimensão. Então, nos investimos em projetos artísticos, como também em festivais, selos iniciativas de distribuição, de comunicação que consigam dar visibilidade pra cena interdenpente de um estado respectivamente. Isto é, além do capital nos entramos com o incentivo para o desenvolvimento de recursos tecnológicos.

Como é o mecanismo de trabalho do projeto?

O nosso mecanismo de trabalho tem duas formas básicas de envolver as pessoas dentro dessa rede: uma forma é a financiada, onde buscamos projetos que têm inserção dentro das leis estaduais de incentivo cultural, aqui no Pará, estamos fazendo investimento em 22 projetos, entre eles de portais (Pará Música e o www.musicaparaense.org.br), de sites, blogs, turnês de artistas, em festivais (Se Rasgum); mas também em iniciativas coletivas como o Casarão Cultural Floresta Sonora. Dentro desse modelo de investimento, incentivamos nas pessoas o desenvolvimento da necessidade do partilhamento de recursos, que é inédito no Brasil, permitindo que projetos daqui consigam repercusão em quase os estados do País. Criando uma circulação não apenas de conteúdos artísticos; mas de conteúdo tecnológico; e quando falo em tecnologia estou relatando sobre tecnologias de gestão.

Como uma pessoa, que por exemplo tem um blog, um podcast, etc. deve proceder para fazer essa parceria com a VIVO? Quais são os mecanismos?

O mecanismo formal é o seguinte a pessoa tem que enviar um projeto para a área de Cultura do site da VIVO (www.vivo.com.br/cultura). Atualmente, existem três macro-projetos que a VIVO trabalha hoje no Brail. Um é o Conexão VIVO, que é o relacionado a música; outro que está voltado ao desenvolvimento de projetos de tecnologia web e mobile; e o terceiro é de cinema de animação.

O que te atrai em relação à cena da música do Pará?

Em primeiro lugar a alegria, não é uma alegria gratuita, mas de viver que está voltada muito para a música local. Além disso, eu consigo enxergar uma diversidade musical impressionante, indo do rock pesado ao pop, passando pelas guitarradas, experimentalismos musicais, ou seja, tem tudo o que se pode imaginar. E não devemos ignorar do Tecnobrega, como um produto muito forte de cultura de massa, que estamos abrigando nesse projeto, com a maior naturalidade, com respeito muito grande dentro desse cenário da diversidade.